321 Possibilidades

Sempre a mesma coisa, todos os anos – o que está sendo feito para renovar o que há de antigo, tão arraigado que até se supõe ser convicção?

Como o ano velho há um montão de anos velhos acumulados. A repetição do sabido, do experimentado. Que tal reciclar sentimentos, opiniões, ideais para o novo, do qual cada instante está prenhe.

Mentalmente, ou anotando uma listinha de resoluções de ano novo, com os hábitos que serão deixados de lado, e os que deviam ter sido adotados a mais tempo.

Serão arrolados também sonhos de consumo. Um desejo secreto. Uma promessa para valer. Frases que nunca mais serão ditas. Gente para se lembrar. Gente para esquecer de vez.

Se a lista irá adiante, se será cumprida como combinado ou não, aí já é outra história. A busca mesmo é de renovação/superação. Algo novo, motivação para mudar. A eterna busca do ‘Sentido da Vida’.

A rigor não é sabido o que se deve renovar. Em geral, não há referência ao permanente, pois o ser humano é feito de permanências e provisoriedades.

As permanências – ligadas à essência, devem ficar; mas as provisoriedades que se tornaram ultrapassadas, rígidas e repetitivas e que estão ali remanescentes por preguiça de examiná-las, por incapacidade ou medo de remover, estas precisam ser revistas, checadas, postas em discussão e arejamento.

O Ano Novo configura a renovação que pode ser chamada: Criatividade. Criar é ganhar da morte. Morte é tudo o que deixou de ser criado. Criatividade é, pois, um conceito pleno. Não há como dissociá-los.

Vida é criação e criação é vida. As soluções jamais se repetem. As repetições ocorrem por medo, e o medo paralisa.

A palavra de ordem é ser feliz.

Felicidade na boca dos Filósofos de todos os séculos, vem passando por muitas tentativas de definição. Mais ou menos, cabe no senso comum ocidental uma espécie de receita do que é ser feliz:

Saúde para dar e vender, dinheiro no bolso, um amor correspondido, geladeira farta, bom emprego, férias naquela prainha com coqueiros, amigos para chatear e dar boas risadas, algumas extravagâncias de vez em quando, e daí por diante é só pular para desejos maiores e correr atrás.

Dentro da própria Filosofia, há quase um consenso de que a felicidade é fazer algo além do seu quadrado. Pode ser uma ação social, que traga aquela sensação gratificante de dever cumprido junto com a realização pessoal. Ou, simplesmente a espontaneidade de abrir o coração para o mundo.

Na listinha de resoluções é válido apreciar a ideia de acrescentar um adendo. Que tal propor mudanças no jeito de olhar as coisas? Vibrar com aquilo que possui, ao invés de reclamar por aquilo que não tem. Olhar ao redor, prestar mais atenção no outro, não só nos do seu quadrado.
Pensar em realizar coisas simples, mas importantes.

Fácil não é. Mas a criatividade está aí para isso. Começar por coisas singelas, que podem levar a coisas significativas: tratar bem as pessoas, os animais, usar a ética da delicadeza, dos menores gestos, apurar o nível de consciência diante do mundo, assumir responsabilidades, respeitar e cuidar.

Essas possibilidades se transformando em ações inesperadas.

Eis a sensação de que acabaram de inaugurar não um ano, mas um mundo novo!

Auriane Rissi

1 Comment
  • Silvia Umbelino

    Lindo Auriane, aliás…como tudo q vc escreve !!
    Um Feliz Ano Novo com tudo o q temos direito…rsrs

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