A esperança é um amanhecer em nós, mesmo estando escuro e frio lá fora

Nem sempre as coisas acontecem conforme planejamos. Tem sonhos que, infelizmente, nunca saíram do papel. Outros foram rabiscados, mas, por motivos contrários às nossas vontades, não foram concluídos. Enfim, por toda nossa vida amamos e sofremos, acertamos e erramos, tropeçamos e caímos.

Nessas horas, ficamos totalmente perdidos. Perdemos o rumo, a fé, e até mesmo a vontade de recomeçar. É preciso aprender a lidar com as frustrações. Além disso, não é porque algo não deu certo que não poderá acontecer um dia. Às vezes, ainda há tempo! Mas, se não houver, não deixe a desilusão ser maior do que você. Reinvente-se.

Seja o seu próprio silêncio. O amor é um oceano em dia de calmaria, com gaivotas voando num azul infinito, onde a brisa suave nos beija o rosto. Mas o amor também fica frio quando as trovoadas dolorosas da tempestade aparecem com os seus conflitos. Por isso, aprenda a despejar suas angústias, pois, se elas se represarem, acabam te afogando num mar de mágoas revoltas.

Porque amamos o desejo daquilo que não tivemos. E, se tal sonho for ignorado, esse amor acaba se tornando tristeza. Quando estiver inquieto, triste talvez, sentindo que o mundo é injusto contigo, não tenha tanta pressa. Quem corre é o tempo. Se você encontrar o seu equilíbrio, ajustará os próprios ponteiros.

Às vezes nos sentimos como se estivéssemos sendo obrigados a atravessar a grande avenida da vida fora da faixa de pedestre. A qualquer momento poderemos ser atropelados. Assustamos quando buzinas alheias invadem os nossos pensamentos, como a pergunta de alguém que quer saber se você já marcou a data do seu casamento ou se vai prestar outro concurso público; ou quando querem saber se você vai ter filhos em breve ou vai se vai continuar “enrolando”.

Mas você é tão diferente… não quer a roupa mais cara da loja nem o último lançamento da marca da moda. Não deseja sair em revistas da sociedade com fotos de família feliz. Não está pensando em amor eterno, pois, no fundo, quer aprender amar dia após dia. Não exige a música pronta, mas topa inventar os acordes para compor uma bela canção a dois.

Não quer muito nem pouco, só quer gostar de alguém que goste de você. Uma hora a vida chega nessas revelações. Sempre acontece. Você está parado em frente às suas escolhas. Olha para trás e percebe como foi a sua vida até agora, por causa dos caminhos que traçou. Reconhece seus erros; como foram tantos! Mas descobre seus acertos; foram muitos mais!

E é nesses momentos que aprendemos como ninguém pôde e nem pode escolher por nós. Se deixarmos isso acontecer, corremos o risco de cair na rotina, de esquecer o sentido da vida e de por que é tão importante acreditar em nós mesmos. Porque somos donos das nossas escolhas, assim como somos responsáveis por elas.

Se eu pudesse, cobriria o sorriso seco do seu rosto com tinta fresca e abraçaria a sua dor até ela se cansar. Se eu pudesse, trocaria a lua minguante pela nova só para você olhar para o céu outra vez. Sopraria o vento que empurra seu barco à vela. Ah… se eu pudesse, também diria adeus por você.

Mas você já sabe, não é? É você quem vai mudar a sua lua, consolar a sua dor e trilhar o seu caminho. Hoje, a sua história é você quem vai contar.

Sente no jardim da sua alma e escreva um poema, mesmo que você ainda não o entenda. Somente junte as palavras. Depois, ouça sua música preferida e se emocione ao assistir ao pôr do sol. Veja o brilho do entardecer dizendo adeus à sua solidão. O último raio de luz que beija a terra aquece seu coração lhe dizendo que a noite está chegando para dormir as suas dores. Amanhã será um novo dia, um amanhecer de recomeço, uma manhã para continuar.

Comigo é assim. Toda vez que me perco, nunca deixo de acordar com o sol. A esperança é quando amanheço em mim, mesmo estando tudo escuro e frio lá fora. Depois que abro os olhos, peço a mim mesma: ‘Que esses raios de luz me guiem na tempestade para encontrar o perdido; quero abraçar o amor; acontecer; amanhecer!’.

Rebeca Bedone
Publicado originalmente na Revista Bula

Imagem by Auriane Rissi  (Amanhecer na Serra Gaúcha/Inverno 2014)

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