Síndrome da Boazinha – Como Curar a Compulsão por Agradar

É típico do ser humano nutrir intimamente o desejo de ser amado e socialmente aceito – porém, quando essa necessidade tem que ser atendida em troca de sucessivas tentativas para cativar o outro e legitimar o afeto através de agrados, pode ser nocivo e desencadear uma patologia. 

De acordo com Braiker, a necessidade por agradar pode virar compulsão, causada por pensamentos distorcidos, uma baixa autoestima, derivada da ideia de que a pessoa tem que ser amada por todos, esses comportamentos se transformam em rituais para satisfazer as necessidades alheias, antes das próprias, na ânsia de obter aprovação.

Sempre na tentativa de afastar sentimentos negativos e evitar ansiedade que a ameaça de não ser querida pode desencadear. O mal revela uma mentalidade tóxica que racionaliza e perpetua o problema; o medo da rejeição e do confronto abastece o padrão de evasão emocional.

O objetivo do livro é identificar a luta que as pessoas travam contra essa doença, onde, quando e como traçar a linha entre os seus próprios desejos e exigências dos outros. Pois, muitas pessoas acreditam que agradar as outras pessoas serão aprovadas, e a vida estará livre de conflito se o fizerem.

O nível de sua autoestima está relacionado ao quanto faz pelos outros e ao quanto é bem-sucedida nisso. Na verdade, cedendo sempre, o que realmente acontecerá é o conflito interior e ruptura de relacionamentos, por não estar sendo fiel a si mesmo.

Enquanto muitas escolas de pensamento argumentam que as mulheres são mais propensas a isso, é possível enquadrar homens, também suscetíveis à mania de agradar. Para as mulheres, no entanto, há um sentido particular em agradar, até mesmo pela influência cultural e pela educação recebida.

O livro é de leitura fácil. Tem questionários no início do livro, onde é possível identificar em que nível está sua dedicação para com terceiros. O questionário é simples, mas revelador para descobrir que tipo de pessoa serve para agradar a si próprio e identificar o que impulsiona a necessidade de exagerar na gentileza com os outros. 

Em seguida aprender, fazendo com que mesmo pequenas mudanças envolvendo seus pensamentos, sentimentos e comportamento – ocasionem mudança positiva e duradoura. O livro tem ainda ótimos exemplos de situações que a maioria das pessoas poderão se identificar, e as estratégias são simples. 

Há no livro exemplos e situações previstas, são aquelas possíveis de certa identificação, como se fossem específicas para cada leitora. Estimula a reflexão, onde desperta a crítica, e lhe dá uma compreensão muito clara de por que há essa necessidade de agradar e as consequências que tem sobre a vida.

Uma prática aparentemente inofensiva, parecendo natural estar sempre de acordo colocar os outros em primeiro lugar e agrada-los compulsivamente, mesmo à custa de sua própria saúde e felicidade, seguindo rapidamente em espiral para uma síndrome psicológica séria com amplas consequências físicas e emocionais.

A intenção da autora não é acabar com o altruísmo, a gentileza; ser boa não é um problema, é destacado no livro que a bondade é uma virtude, porém se o sentimento de bondade se intensificar demais,  a barreira para dizer não afetar emocionalmente a pessoa, alterando o equilíbrio, é necessário rever a postura diante dessa atuação.

Síndrome Capa A Sindrome da Boazinha V2 RB.aida Boazinha – Como Curar a Compulsão por Agradar   
Autor – Harriet B. Braiker
Editora – Best Seller
Sinopse – As mulheres que sofrem de compulsão por agradar não são apenas as que se desdobram para garantir que todos à sua volta estejam felizes. Na verdade, aquelas que padecem desta síndrome passam por um sofrimento cotidiano ao esgotarem seu tempo e sua energia realizando tarefas desnecessariamente apenas porque não sabem dizer ‘não’. A partir de histórias reais vividas no consultório da autora e de uma análise sobre a compulsão por agradar, ‘A Síndrome da Boazinha’ procura estabelecer novos parâmetros na vida de quem sofre deste mal, ajudando a identificar os momentos em que os outros abusam de sua bondade e ensinando que a própria aprovação é muito mais importante do que a de qualquer outra pessoa. O leitor perceberá que viver de forma equilibrada, levando a opinião dos outros em consideração, sem que ela tenha necessariamente que se sobrepor à sua vontade, é a melhor maneira para ser saudável e feliz.

2 Comentários
  • Cynthia Cunha

    Auriane, ótima resenha! Incrível como vc escreve com clareza e objetividade!

    Impressionante como os sintomas desta patologia se parecem com as características da personalidade do Tipo 2, no Eneagrama!

    Obrigada e parabéns pela resenha!
    Cynthia Cunha

    • Auriane Rissi

      Grata eu pelas considerações Cynthia. Interessante lincar com o Eneagrama, aliás, sua especialidade. BjBj

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