Independentes sem deixar de pertencer

‘Bons pais são aqueles que vão se tornando desnecessários com o passar do tempo’. Muitos pais e mães já ouviram que é melhor soltar os filhos do que superproteger, pode ser encarado por alguns como indiferença; porém chega um momento que é preciso reprimir o impulso natural de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos as frustrações, tristezas e perigos.

Uma batalha difícil para a maioria, diante de tanto risco e vulnerabilidade. Mas diante da possibilidade de fraquejar na luta para controlar o instinto protetor, que todos têm dentro de si, é bom lembrar que se os papeis foram bem exercidos, devem os pais se tornar desnecessários. Antes que alguns pais apressados associem a ideia ao desamor, explico o que significa isso. 

Ser desnecessário é não deixar que o amor incondicional, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto deles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes; prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros e acertos também. 

A cada fase da vida, é normal irem cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, pais e filhos. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria vida e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é ter certeza que os pais estão lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com os braços abertos para o aconchego, o acolhimento, o conforto nas horas difíceis. Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprender essa condição, se transformam em porto seguro para quando eles decidirem atracar. Filhos saudáveis, independentes, mas com a noção de pertencimento ao lar que um dia deixaram para trilhar o próprio caminho.

Auriane Rissi

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