Entrosando com nós mesmos

É comum desejarmos estar num lugar diferente de onde estamos, como se o melhor lugar é aquele que a gente não está. Se em casa, queremos estar na praia. Na praia, e temos saudade de estar de volta ao lar. Buscamos terras longínquas, atrás da felicidade e, se aí não a encontramos, vasculhamos em outras paragens. 

Sempre do lado de lá.

Isso remete a história da gota de orvalho que pediu à sábia borboleta onde poderia encontrar um rio, e a dona borboleta respondeu: ‘Está à sua frente! A frustrada gota de orvalho retorquiu: Ah! é só um córrego, estou atrás de um rio’ – e partiu em busca de um grande rio, sem se dar conta que estava diante de um. 

Descontentamentos assim originam-se de um relacionamento vazio com nós mesmos. Ocupamo-nos atrás de algo ou alguém que nos traga felicidade, quando na verdade ela está à mão. Nós estamos no lugar a que pertencemos; se aceitarmos, iremos nos deparar com aventuras jamais imaginadas.

Para isso é necessário cessar o hábito de responsabilizar o contorno pelo nosso sentir, e dar um basta no descontentamento crônico, como se a vida nunca fosse boa o suficiente. A incompletude faz parte da natureza humana, mas se soubermos nos entrosar conosco, estaremos mais próximos de atingir a satisfação desejada.

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