Dentro de um abraço por Martha Medeiros

O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito. Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço, se dissolve.

Sobre a incrível geração que se apega fácil e desapega mais fácil ainda

Pratique o desapego. Esse mantra ecoa mundo afora quase como uma ordem. Não: é mais do que isso. Praticar o desapego virou uma filosofia de vida, um jeito desapegado de ver as coisas. Praticar o desapego, não sei por qual razão, é praticamente o primeiro mandamento para se resolver conflitos internos hoje em dia. Só que praticar o desapego requer prática. E praticar o desapego é tudo, menos prático. Há também aqueles mais apegados, que escalam até o topo; são chamados de intensos. E de gente intensa a geração desapego quer distância.