A culpa é do amor

Eu tenho um bocado de amor guardado aqui, desses que a gente junta distraído pelo caminho. Não me pergunte como, pois nem sei de que jeito fiz isso. Tenho aqui pra mim que não fui vacinada contra esse vírus e acabei pegando um pouquinho de cada um que por aqui passou.

Nessa estrada ganhei amor em sorrisos, fiz coleção de histórias e retratos. Conheci gente que me doou amor na tristeza e no olhar. Encontrei ainda amor declarado e esquecido. Amor que me deu a mão e que me fez cair. Amor que se escondeu atrás da porta e fugiu quando eu abri. Amor que não consegui carregar, que soprou versos sem eu pedir. Amor na dor e na despedida.

A vida foi clara em me ensinar que quanto mais se dá, mais se tem. Entendi também que só entregamos aquilo que nos pertence. Sentei na primeira carteira, ouvi com atenção, grifei os trechos mais importantes e do meu jeito fiz a lição de casa. Como quem caminha caçando borboletas fui guardando todos esses amores nessa grande rede. Sem deixar escapar nenhum, ele é tudo o que tenho de mais precioso pra te oferecer.

Se hoje a gratidão não me falta, a dor não me convence e a fé abriga meus sonhos, tenho pra mim que é tudo culpa desse amor que carrego aqui dentro. Amor é meu patuá, meu privilégio e minha sorte.

Carolina Montenegro

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